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Biópsia é peça-chave no diagnóstico das enteropatias crônicas felinas

Biópsia é peça-chave no diagnóstico das enteropatias crônicas felinas

As enteropatias crônicas estão entre os desafios mais frequentes da clínica felina, especialmente pela dificuldade em diferenciar processos inflamatórios de neoplasias intestinais.

Durante palestra sobre o tema no Cat Congress 2026, a médica-veterinária especializada em Gastroenterologia Veterinária, Ana Rita Carvalho Pereira, explicou que muitos casos ainda são conduzidos com base em presunções diagnósticas, o que pode comprometer o tratamento e o prognóstico dos pacientes.

De acordo com a profissional, embora a maioria dos gatos com sinais gastrointestinais crônicos apresente enteropatia crônica ou linfoma de pequenas células, outras condições também podem estar presentes.

Diante desse cenário, a palestrante reforçou que a biópsia continua sendo o principal método para a definição diagnóstica.

“Nem tudo é enteropatia crônica e linfoma. Precisamos fazer biópsia para ter certeza. A responsabilidade do veterinário é indicar o que é correto para o paciente”, afirmou.

Importância do diagnóstico assertivo

Outro mito abordado durante a apresentação foi a ideia de que apenas biópsias obtidas por laparotomia seriam capazes de diferenciar enteropatias crônicas e linfoma de pequenas células.

“O linfoma de pequenas células começa na mucosa. Por isso, uma biópsia endoscópica de qualidade pode permitir o diagnóstico. O problema é que precisamos de um bom operador, um endoscópio adequado e, no mínimo, dez fragmentos por segmento analisado”, ressaltou.

Ana Rita Carvalo Pereira é pós-graduada em Gastroenterologia Veterinária (Foto: Cães&Gatos)

Ana Rita também alertou para a natureza segmentar das lesões intestinais em gatos. Isso significa que diferentes regiões do trato gastrointestinal podem apresentar alterações distintas, tornando fundamental correlacionar os achados clínicos, ultrassonográficos e histopatológicos.

“O duodeno pode estar apenas inflamado enquanto o íleo apresenta um linfoma. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente”, disse.

Além da investigação diagnóstica, segundo a médica-veterinária, a nutrição possui um papel central no manejo das enteropatias crônicas. Embora a resposta à dieta de eliminação seja menos expressiva em gatos do que em cães, ela destacou que a estratégia ainda possui valor clínico, especialmente em pacientes mais jovens ou com doença de evolução recente.

“Não é verdade que dietas hipoalergênicas não funcionam. Elas funcionam menos do que nos cães, mas podem ser muito úteis, principalmente para ajudar a reduzir a necessidade de medicamentos ao longo do tratamento”, explicou.

Inflamação intestinal x linfoma

Outro ponto de destaque foi a relação entre inflamação intestinal crônica e desenvolvimento de linfoma. De acordo com a palestrante, evidências sugerem que essas condições fazem parte de um mesmo espectro patológico.

“É como uma escada. Não sabemos exatamente em qual degrau o paciente está. Ele pode apresentar apenas inflamação, um linfoma de pequenas células ou um linfoma mais agressivo. O importante é entender que existe uma progressão possível entre esses estágios”, citou.

A profissional também chamou atenção para a dificuldade diagnóstica mesmo após a obtenção das amostras. Segundo ela, a interpretação histopatológica pode variar entre profissionais, tornando frequente a necessidade de exames complementares, como a imunohistoquímica.

Além disso, tratamento empíricos podem mais prejudicar o felino do que ajudar a melhorar o quadro clínico.

“Não podemos partir do princípio de que algo parece uma doença e tratar sem confirmação. Precisamos buscar um diagnóstico positivo para oferecer a melhor conduta ao paciente”, concluiu.

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